quarta-feira, 26 de maio de 2010

Garcia & Rodrigues | Um creminho (brulée) que vale por um bifinho


Pois é, o creme brulée que não pedi foi a melhor parte do meu almoço. Não que tenha sido ruim,  achei tudo tão mais ou menos no menu do Restaurant Week do Garcia & Rodrigues...
O Restaurant Week é uma espécie de festival que acontece todo ano e oferece menus com entrada, prato principal e sobremesa por 27,00.
Lá no Garcia, fiquei com a (meia) pera assada com gorgonzola e nozes de entrada. Estava boazinha. Nada demais.
Como prato principal, filé ao poivre com gratin de batata. Como diz uma amiga, estava direitinho mas, mais uma vez, nada demais.
Já minha sobremesa, bem, estou procurando até agora. Tive a sensação de que minha terrine (tipo uma mousse) de maracujá com chocolate era só meia terrine de tão micro. Estava boazinha, mas adivinha? Nada demais.
Foi aí que resolvi experimentar a sobremesa de minha companheira de mesa: creme brulée. Espetacular! Foi só uma colherada, mas valeu pelo almoço. E pelo jantar.

Em tempo: soube que a brandade de bacalhau, seja lá o que for isso exatamente, estava ótima.
Em tempo 2: O Garcia está de mudança para outro lugar e pelo que soube, não contará mais com um restaurante.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Termos gastronômicos | Para não passarmos vergonha (2)

Continuando a série "Termos gastronômicos", apresento mais dois termos que sempre via nos cardápios e nunca entendia o que queriam dizer. Mais uma vez, se eu estiver errada, me corrijam, please.

Confit
Vem do verbo francês "confire", ou seja, conservar. É uma das formas mais antigas de conservação de carnes, principalmente, a de porco, a de pato e a de ganso. Consiste basicamente, no cozimento da carne em gordura – normalmente em sua própria gordura – de maneira lenta e em fogo baixo, deixando-a, depois, acondicionada imersa nesta mesma gordura, para evitar o contato com o ar. Para ser consumida, a carne costuma ser ligeiramente grelhada ou levada ao forno. No entanto, além da carne, encontram-se receitas de confit com ingredientes como tomate e alho, contanto que o meio de conserva seja gordura, banha, óleo ou azeite. Também é possível fazer confit de frutas, utilizando calda de açúcar.

Escabeche
A palavra vem do árabe e significa "comida temperada com vinagre". O termo era associado inicialmente ao preparo da sardinha crua conservada em salmoura, com vinagre e especiarias conferindo-lhe maior sabor e tornando-o mais tenro, sem contudo altera-lo. Hoje, o escabeche é usado para temperar ou conservar peixe e outros alimentos, como carnes e até de berinjela. Normalmente, são bem coloridos e perfumados.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Stambul | O 1º Arak a gente nunca esquece ou como ter um Dia das Mães em paz

Apesar de adorar comida árabe, sempre que passava ali em frente, torcia o nariz. Mas era Dia das Mães e a certeza de que todos os lugares badalados da cidade estariam lotados fez-me arriscar.
Fomos – eu, minha mãe e uma tia – ao Stambul, um daqueles restaurantes que existem há séculos em Copacabana. Acertamos na mosca. Fila zero. Mas logo achei que nossa paz terminaria por aí: foi só pormos os pés no local que chegou um daqueles grupos adoráveis de pagodeiros... Mas, felizmente, eles logo foram embora e pudemos fazer nossos pedidos em paz.
Optei por uma cafta acompanhada de arroz com carne moída, grão de bico e amêndoas, (meia porção: R$ 14,00). Minhas acompanhantes dividiram o Árabe Misto: cafta, salada, arroz com lentilha e churrasco árabe (R$ 35,00).
Como não resisto a uma coisa diferente, escolhi, para beber, o Arak (R$ 6,50), uma espécie de cachaça árabe. Pior para mim que esqueci que a bebida leva anis e eu detesto anis. Mas o gelo e a hortelã que vêm junto deram uma disfarçada.
As porções vieram bem servidas. Apesar de minha tia reclamar do churrasco mal passado, não estava ruim. Os caftas estavam ok e o arroz também. Destaque para aquele crisp de cebola que vem em cima do arroz com lentilha. É tudo de bom.
A essa altura eu já estava um pouco tonta, pois além de não estar muito acostumada a beber, o Arak, tem um alto teor alcoólico, em torno de 45%. Parece leve, mas não é.
Agora tonta mesmo fiquei com as sobremesas. Por módicos R$2,50, come-se alguns dos melhores doces árabes da praça. E olha que sempre desconfio de doce sem chocolate. Pedi um amanteigado de nozes e amêndoas. Ótimo. Minha mãe ficou com o folhado com mesmo recheio e mel de rosas. Mais ótimo!
Nesse momento, o restaurante já estava quase cheio. Talvez outras pessoas tenham tido a mesma ideia e levado as mães lá. Ou talvez o velho Stambul ainda faça sucesso mesmo. O certo é que tivemos o Dia das Mães mais tranquilo dos últimos tempos, sem necessidade de reserva, sem filas e sem aborrecimento. Minha mãe agradece. E eu também.

Em tempo: ainda ganhamos uma rosa cada no final.
Serviço: Rua Domingos Ferreira, 221b – 2256-1992.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Montana Grill | Avestruz honesto

Estava eu faminta após uma prova. Pela proximidade, fui parar no Shopping Tijuca. Olhei em volta da praça de alimentação. Mais do mesmo: Parmê, Subway, Spoleto. Queria variar, só para variar...
Venci o preconceito, afinal, a casa é de Chirtãozinho e Xororó - com direito a autógrafo dos dois no letreiro - e, confesso, fui ao Montana Grill Express.
Claro que não ia pedir bife com batata frita. Optei pela carne de avestruz (que na verdade foi o que me convenceu a ir até ali). Por 17,00, o prato dava direito a dois acompanhamentos e salada. Escolhi polenta frita e arroz de carreteiro (arroz com carne seca e salsa). A salada era padrão - de folhas - com molho catupiry.
O prato ficou pronto em poucos minutos. Minha fome agradeceu.
Os acompanhamentos estavam bem aceitáveis e a carne, bem honesta. Uma porção razoável e macia. Para quem não conhece, a carne de avestruz se assemelha à carne de boi, mas com menos gordura.
Meu acompanhante gostou muito. Eu como sou (bem) mais chata, apenas gostei. Nada que se compare ao prato que experimentei há algum tempo no D’Amici (aquele italiano lá do Leme) e que me fez virar fã da tal carne. Mas pelo preço e pelo que esperava de um restaurante que tem representantes da música sertaneja no letreiro, até que valeu a pena.

domingo, 2 de maio de 2010

Pizza Hut | Milho sem preconceitos


É curioso como a maioria das pessoas tem medo de experimentar o novo. Abacate com pimenta? Porco com leite de coco? Não, obrigada, fico com o arroz com feijão... Na verdade, quase sempre, minha curiosidade gastronômica é vista como uma grande esquisitice pelos amigos. Já eu defendo que antes de criticar um prato, temos que prová-lo. E assim começou uma longa discussão...
Estava com um grupo na Pizza Hut, que por sinal, é uma das minhas pizzarias preferidas. Cansada da boa e velha pizza de frango com catupiry, unanimidade entre nós (e olha que nem ligo para frango) ou da ótima tomate seco com rúcula, cismei de experimentar a pizza Corn & Bacon, ou seja, de bacon com milho. Mas todos na mesa disseram em uníssono: "milho não!".
Pensei cá comigo: pobre milho! Isso é que é preconceito! Queria ver dizerem isso quando comem pipoca...
Enfim, depois de horas, venci a discussão. E adivinha? Todos aprovaram. E, por sinal, quase não dava para sentir o sabor do milho. Resultado, a pizza de frango, para mim, passou para o segundo lugar...

Em tempo: para ficar melhor ainda peça a pizza pan (de massa mais grossa e mais tradicional da casa) e acrescente bordas recheadas com catupiry. Fica 10!
Em tempo 2: uma pizza com bordas recheadas (8 fatias) fica em torno de 48 reais.
Serviço: 3325-6222 (delivery). E, através do site, você se informa sobre promoções como aquela em que, dependendo do dia, pede-se uma pizza e ganha-se outra (www.pizzahutrio.com.br).

sábado, 1 de maio de 2010

Termos gastronônimos | Para não passarmos vergonha

Quantas vezes você foi a um restaurante e se deparou com um termo não identificado no cardápio? Comigo acontece o tempo todo. Assim, decidi pesquisar o significado de alguns, para não sair por aí passando vergonha. Vou apresentar uns 3 ou 4 de cada vez. Como não sou expert no assunto (afinal, meu negócio é degustar e não preparar), se eu estiver errada em alguma definição, por favor, me corrija!

Chutney
Receita originária da Índia é uma conserva condimentada, feita com frutas ou legumes, vinagre, açúcar e especiarias. Um dos mais tradicionais é o de manga. Os ingredientes são cozidos levemente até tomar o ponto de geleia mole (principalmente quando feitos de frutas, já os vegetais, algumas vezes, não passam pelo processo de cozimento). É muito usado para dar mais sabor para aves e carnes assadas.

Redução
Reduzir significa diminuir pela fervura a quantidade de líquido de um alimento, tornando espesso ou intensificando o sabor de uma mistura líquida - como uma sopa ou molho - por evaporação.

Terrine
Devido às diversas formas como um patê é elaborado, ele pode se tornar um patê propriamente dito, ou uma terrine. O patê é mais pastoso e  homogêneo, já a terrine é assada e é normalmente fatiada, mas pode ter textura e formatos diversos. Em sua forma mais básica, comporta qualquer tipo de carne, mas se pode preparar terrines de legumes ou outras mais elaboradas como foie gras com trufas ou coelho com cogumelos selvagens. Há ainda, as mais leves com consistência de mousse e as elaboradas para a sobremesa, transparentes, de gelatina com especiarias, por exemplo.

domingo, 18 de abril de 2010

Nam Thai | Pimenta de primeira


Você gosta de pimenta? Você não gosta de pimenta? Você gosta de frutos do mar? Você não gosta de frutos do mar? Então vá ao Nam Thai.
Há um certo tempo não vou - não me pergunte porque - mas precisava comentar, adoro o Nam Thai.
Não sou nada chegada a peixes e frutos do mar mas, apesar de ser um restaurante asiático, como alguns podem pensar, não há dificuldade de se encontrar ótimos pratos com outros ingredientes.
O Gaeng Moo Tay Po (39,00), que junta carne de porco em cubinhos, leite de coco e curry vermelho, é meu preferido e vem com a quantidade certa de pimenta. Por sinal, o cardápio traz a quantidade de pimenta de cada prato expressa em estrelinhas, sendo três estrelas o mais picante. O Gaeng tem duas.
O Nuea Massaman, com filé mignon, leite de coco, amendoim e curry de massaman (anis e canela, quase imperceptíveis, ainda bem) é outra boa sugestão. Mas o prato é apenas para iniciados. Com três estrelinhas, não é qualquer um que resiste. Chorei quando comi. Literalmente. Mas afinal, essa não é exatamente a graça da pimenta?! Ela faz os sentidos interagirem. Não é apenas uma boca que mastiga. É o corpo todo participando, numa explosão sensorial. Você sua, chora, interage. Adoro!
Vale dizer que há pratos sem nenhuma estrelinha, os seja, se você odeia pimenta, pode ir tranquilo. Agora, se algum prato possui esse ingrediente em sua composição, nem pense em pedir para tirá-lo, pois ouvirá um não.
Bem, mas o melhor, o melhor mesmo do Nam Thai, para mim, é uma sobremesa: mousse de yogurt com confit de gengibre (8,00). Gengibre? Sim, gengibre. Talvez a melhor sobremesa sem chocolate que já comi. Só provando para entender. Mas atenção, essa sobremesa só é servida na hora do almoço!

Dica 1: Para minimizar o efeito da pimenta, nada de beber água, ela espalha os efeitos. O ideal é comer arroz, que os neutraliza.
Dica 2: Cadastre-se no site, volta e meia você receberá notícias de promoções interessantes (www.namthai.com.br)
Serviço: Rua Rainha Guilhermina, 95 B - Tels.: (21) 2259-2962 / 2259-3172

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Joe & Leo’s | E prêmio de melhor hambúrguer vai para... o hot dog

Num sábado meio insosso fui com uma amiga velha de guerra ao Joe & Leo’s do Leblon. Até alguns meses atrás, o aniversariante e um acompanhante pagavam metade do valor em seus sanduíches. Então, lá fomos nós. No entanto, já no restaurante, soubemos que a promoção havia acabado (e olha que minha amiga ligou antes confirmando!). Cá para nós, se soubéssemos, possivelmente, teríamos ido a outro lugar, afinal, estamos longe de ser grandes fãs do restaurante. Não estou dizendo que o lugar é ruim, mas, na verdade, nunca entendi porque o Joe & Leo’s recebe todo ano o prêmio de melhor hambúrguer da cidade, quando similares, como B-52 e Banana Jack são infinitamente melhores. Será que é porque seu hamburger é mais seco e a chance de se morrer entalado é maior?! Ou será pelo preço absurdo que cobram por um hambúrguer, que pode chegar a 35 reais?! Não que os concorrentes sejam uma pechincha, mas apresentam preços  mais aceitáveis, em torno de R$ 20,00. Várias pessoas concordam comigo. Mas todo ano o prêmio está lá...
Enfim, chutei o balde do hambúrguer e optei pelo Bacon Doggie, vulgo cachorro quente. Uma linguiça enorme, enrolada em bacon, toneladas de cheddar por cima, tudo sobre um pão careca aberto. Como acompanhamento, optei pelas batatas sorriso, aquelas com carinhas literalmente sorrindo para você e que é uma das boas coisas da casa. Também, poderia ter escolhido fritas, onion rings ou batatas raquete. Gostei muito, mas achei que faltava um molho acompanhando, como acontece com os hambúrgueres. Tive que me virar com o catchup, mas pelo menos é um catchup de primeira. Saí estourando, sem chance para sobremesa.
Enfim, apesar de não ser muito fã dos hambúrgueres da casa, não conhecia o hot dog e aprovei, esse sim, muito melhor que o do Banana Jack, que normalmente vem com uma pele intragável. Aí fiquei imaginando que o melhor hambúrguer da cidade, na verdade devia ser um cachorro quente...
Em tempo: Preço do Bacon Doggie: 22,60.
Em tempo 2: A ilustração acima é de Roy Lichtenstein, pintor norte-americano ligado à Pop Art.
Em tempo 3: Na semana seguinte, voltei ao Joe & Leo’s. A fome era pouca e pedi só uma sobremesa. Não resisti ao Brownie Goin’ Nuts (que vem com calda de chocolate, sorvete de creme, chantilly e macadâmia, muita macadâmia, por 15,00). Lindo! Mas achei um pouco enjoativo e olha que não posso ver açúcar... Não é ruim, mas pelo que promete...

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Solario | Jogando a toalha (molhada)...


Já havia ido uma vez àquele rodízio. Detestei. Mas sabe quando uma de suas melhores amigas resolve comemorar ali o batizado do filho? Você vai dizer o quê? Que dessa vez não vai poder ir e prometer que quando a criança fizer a 1ª comunhão ou casar você vai? Sem chance... Assim, lá fui eu ao Solario.
Para começar, o garçom perguntou-me o que ia beber. H20H? “Não tem”. Nestea? “Não tem”. Comecei a achar que ia morrer de sede, afinal, não tomo refrigerante...
Então, começou (se é que esse é o termo certo) o rodízio. Primeira pizza? Mussarela. Não comi, claro. Imagina que vou perder tempo com a pizza mais óbvia da face da terra...
Mas talvez devesse, não só pela demora até chegar outra pizza, mas porque a de carne estava péssima, a de strogonoff, sem graça, a de calabresa era um poço de gordura e a 4 queijos... bem, quando perguntei, o garçom me ofereceu uma 3 queijos, pois o outro estava em falta. Logo imaginei que o 4º queijo estivesse junto com o H2OH... Desisti e parti para as pizzas doces.
Veio, então, a pizza de açúcar com manteiga... quer dizer... de chocolate branco ou seja lá o nome se dê para aquilo.
Nesse momento, um grupo enorme de estrangeiros desavisados entrou no restaurante. O que estava ruim, só conseguiu ficar pior. Foram 20 minutos sem sentirmos o cheiro de uma pizza. Coitado do garçom - muito simpático, por sinal - às voltas com os gringos, veio até nós e pediu desculpas: “não vou poder lhes dar atenção”, disse sem jeito. E não poderia mesmo. A casa não tinha nem metade dos garçons de que precisaria.
À medida que os gringos foram indo embora, resolvemos, otimistas que somos, fazer alguns pedidos: prestígio, chocolate com morango, doce de leite. Essa última veio, mas seria melhor que não tivesse vindo. Nunca comi um doce de leite tão ruim. Já os outros pedidos, adivinha?! Não tinha nem morango, nem coco, ingredientes que provavelmente deviam estar junto com o H2OH e o queijo do início da história... Resultado, abrimos uma caixa de Bis que, por sorte, tínhamos na bolsa e matamos um pouco nosso desejo chocólatra...
Falando em chocolate, morremos de alegria ao saber que minha amiga havia levado um bolo de chocolate para comemorar o batizado. Nossa ansiedade foi crescendo. Mas como tudo sempre pode piorar, o garçom trouxe os pratos para o bolo. Um cheiro estranho surgiu no ar. Pensei: “a única coisa que não estava aqui eram os pratos. O cheiro deve ter vindo junto com eles...”. Não resisti e cheirei meu prato. Para quê?! Cheiro de cachorro molhado, ou toalha molhada, como preferir... E aí aconteceu a melhor parte da noite, todo mundo começou a cheirar seu prato. Foi um tal de cheirar prato para cá, cheirar prato para lá, quase 20 pessoas cheirando seus pratos. Resultado, todo mundo jogou a toalha (molhada) e comeu o bolo no guardanapo...

Em tempo: para quem não conhece, o restaurante fica em Copa. Mas acho desnecessário dar o endereço...
Em tempo 2: a comida a quilo de lá é aceitável. É no rodízio que a coisa complica.  
Em tempo 3: o bolo da minha amiga estava ótimo!
Em tempo 4: FECHOU!!! Virou Apetitto, bem melhor!!!